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Uêvo Academy

Uêvo Academy | Desconforto com o whey? Conheça a proteína da clara do ovo, naturalmente sem lactose

13 Oct 2026

Uma alternativa sem lactose, com proteína de alta qualidade, e os cuidados que nutricionistas e consumidores precisam conhecer.

A suplementação proteica faz parte da rotina de atletas, praticantes de atividade física e pessoas que precisam aumentar a ingestão de proteína. O whey protein, derivado do soro do leite, é a opção mais conhecida. Mas nem todo mundo se adapta a ele: algumas pessoas relatam desconforto ao consumir suplementos lácteos, e uma das causas mais conhecidas é a intolerância à lactose.

Para quem precisa ou prefere evitar laticínios, a proteína da clara do ovo é uma alternativa: ela não contém lactose nem proteínas do leite em sua composição.

Este artigo reúne o que os estudos mostram sobre essa proteína, com dados de composição, qualidade proteica, perfil de aminoácidos, digestibilidade e segurança. O conteúdo serve tanto ao nutricionista, na hora da prescrição, quanto a quem quer entender melhor o que está consumindo.

O que é a proteína da clara do ovo

A clara do ovo não é uma proteína única, mas um conjunto de proteínas com estruturas e funções diferentes. A mais abundante é a ovoalbumina, que responde por mais da metade do total.

Proteína % das proteínas da clara Característica
Ovoalbumina 54% A mais abundante
Ovotransferrina 12% Segunda mais abundante
Ovomucoide 11% Inibidora de tripsina; resistente ao calor; principal alérgeno da clara
Ovomucina 3,5% Proteína fibrilar
Lisozima 3,4% Enzima

Fonte: Wu et al. (2010).

A proteína da clara Uêvo é obtida por um processo de dupla filtragem, que isola a fração proteica da clara.

Qualidade proteica: onde a clara se posiciona

A qualidade de uma proteína depende de dois fatores: quais aminoácidos ela fornece e quanto o organismo consegue aproveitar deles. Pelo PDCAAS, o escore de aminoácidos corrigido pela digestibilidade, ovos e laticínios atingem 1,0, o valor máximo da escala.

Um estudo da Universidade de Maastricht (Gorissen et al., 2018) analisou, com o mesmo método laboratorial, proteínas isoladas comerciais de origem animal e vegetal. Entre as proteínas animais, os resultados foram:

Proteína Aminoácidos essenciais (% da proteína) Leucina (% da proteína)
Whey 43% 11,0%
Proteína do leite 39% 9,0%
Caseína 34% 8,0%
Ovo 32% 7,0%
Referência: músculo esquelético humano 38% 7,6%

Todas as proteínas animais analisadas ficaram bem acima das necessidades de aminoácidos essenciais da OMS/FAO/UNU. Para referência, a necessidade de leucina é de 5,9% da proteína, a de lisina é de 4,5% e a de metionina, de 1,6%.

Dois pontos ajudam a ler esses números. Primeiro, o whey tem o maior teor de leucina entre as proteínas animais, e a clara fica abaixo dele nesse quesito. Segundo, o perfil varia entre amostras e fabricantes: no estudo, havia uma única amostra de proteína de ovo, com 51% de proteína. Por isso, o perfil do produto específico deve ser conferido no seu próprio aminograma, apresentado mais adiante.

Clara do ovo x whey: o que muda

As duas são proteínas de origem animal, de alta qualidade, e atendem às necessidades de aminoácidos essenciais. A diferença principal está na origem, e é ela que define para quem cada uma se encaixa melhor.

Característica Proteína da clara do ovo Whey protein
Origem Clara do ovo Soro do leite
Lactose Não contém Pode conter; o teor varia conforme o tipo (concentrado, isolado ou hidrolisado)
Proteínas do leite Não contém Contém (principalmente beta-lactoglobulina e alfa-lactoalbumina)
Alérgeno Ovo Leite
PDCAAS 1,0 (ovo) 1,0 (laticínios)
Atende às necessidades de aminoácidos essenciais (OMS/FAO/UNU) Sim Sim
Aminoácidos essenciais (% da proteína)* 32% 43%
Leucina (% da proteína)* 7,0% 11,0%

*Valores de amostras comerciais analisadas com o mesmo método por Gorissen et al. (2018).

Na prática, o whey leva vantagem no teor de leucina. A clara leva vantagem para quem precisa ou prefere excluir lactose e proteínas do leite. A diferença de leucina pode ser compensada com ajuste da porção, como mostra a seção seguinte.

Aminograma da albumina Uêvo

A análise laboratorial da albumina Uêvo sabor baunilha identificou os nove aminoácidos essenciais. A cada 100 g de produto, são 36,3 g de aminoácidos essenciais, dos quais 16,5 g são aminoácidos de cadeia ramificada (leucina, isoleucina e valina).

Aminoácido Tipo g por 100 g de produto g em 30 g de produto
Leucina Essencial (cadeia ramificada) 6,89 2,07
Valina Essencial (cadeia ramificada) 5,50 1,65
Lisina Essencial 5,16 1,55
Fenilalanina Essencial 4,89 1,47
Isoleucina Essencial (cadeia ramificada) 4,09 1,23
Treonina Essencial 3,70 1,11
Metionina Essencial 2,91 0,87
Histidina Essencial 1,82 0,55
Triptofano Essencial 1,31 0,39
Ácido glutâmico* Não essencial 10,50 3,15
Ácido aspártico* Não essencial 8,46 2,54
Serina Não essencial 5,81 1,74
Alanina Não essencial 4,92 1,48
Arginina Não essencial 4,65 1,40
Tirosina Não essencial 3,15 0,95
Glicina Não essencial 2,96 0,89
Prolina Não essencial 2,95 0,89
Cisteína + cistina Não essencial 2,28 0,68
Total de aminoácidos essenciais 36,27 10,88
Total de cadeia ramificada 16,48 4,94

Fonte: relatório de ensaio Eurofins ALAC nº AR-21-GR-098954-01-N (09/07/2021), amostra de albumina sabor baunilha, lote 2021000094. Os resultados referem-se à amostra analisada. A coluna de 30 g é um cálculo proporcional a partir do laudo.
*Na hidrólise ácida, a glutamina é medida junto com o ácido glutâmico, e a asparagina junto com o ácido aspártico.

O que esses números representam na porção

A ingestão de 25 g de whey, que fornece 2,7 g de leucina e 10,9 g de aminoácidos essenciais, é uma referência bem estabelecida de estímulo à síntese proteica muscular (Gorissen et al., 2018). Comparando com o aminograma da albumina Uêvo:

  • Aminoácidos essenciais: sem contar o triptofano, que não foi medido no estudo de referência, 30 g do produto fornecem 10,5 g. Cerca de 31 g do produto atingem os 10,9 g.
  • Leucina: 30 g do produto fornecem 2,1 g. Cerca de 39 g do produto atingem os 2,7 g.

Digestibilidade: o preparo faz diferença

Não basta uma proteína ter bons aminoácidos; o organismo precisa conseguir digeri-los e absorvê-los. No caso do ovo, o processamento térmico muda bastante esse aproveitamento.

Estudo O que foi avaliado Resultado
Evenepoel et al. (1998) Digestibilidade ileal verdadeira de 25 g de proteína do ovo, crua e cozida Cozida: 90,9%. Crua: 51,3%
Kashyap et al. (2018) Digestibilidade ileal de aminoácidos indispensáveis Clara cozida: 86,3%. Ovo inteiro cozido: 89,4%. Carne cozida: 92,0%
Fuchs et al. (2022) Síntese proteica muscular após exercício com 5 ovos crus ou cozidos Ovos cozidos elevaram mais os aminoácidos no sangue; a síntese proteica muscular foi semelhante

Evenepoel et al. (1998). O estudo usou técnicas com isótopos estáveis em humanos e mostrou que, após a ingestão de 25 g de proteína do ovo crua, quase metade não foi absorvida em 24 horas. Segundo os autores, o aquecimento altera a estrutura da proteína e dá às enzimas digestivas mais acesso às ligações peptídicas. Mesmo cozida, a absorção foi eficiente, mas não completa.

Kashyap et al. (2018). Com o método de duplo marcador isotópico, a digestibilidade dos aminoácidos indispensáveis da clara cozida variou de 79,8% para a metionina, a mais baixa, a 93,0% para a fenilalanina, a mais alta.

Fuchs et al. (2022). Em jovens saudáveis após treino de força, os ovos cozidos aumentaram mais a concentração de aminoácidos no sangue do que os crus. Ainda assim, a síntese proteica muscular não diferiu entre os dois grupos. O estudo foi de curto prazo, então não permite conclusões sobre ganho de massa muscular a longo prazo.

Alergia ao ovo: um cuidado que vem antes de tudo

A clara do ovo é um alérgeno alimentar importante. Quatro de suas proteínas são alérgenos reconhecidos: ovomucoide, ovoalbumina, ovotransferrina e lisozima. A principal responsável pelas reações é a ovomucoide, que corresponde a cerca de 11% das proteínas da clara. Ela é resistente ao calor e à digestão, o que explica por que o cozimento não elimina o risco.

Um estudo clínico duplo-cego, controlado por placebo, avaliou pessoas com alta sensibilização à clara (Urisu et al., 1997):

  • Das 38 pessoas que reagiram à clara liofilizada, 21 não reagiram à clara aquecida.
  • Das 17 que reagiram à clara aquecida, 16 (94,1%) deixaram de reagir quando a ovomucoide foi removida.

Ou seja, o aquecimento reduz a alergenicidade de parte das proteínas da clara, mas a ovomucoide continua sendo o principal fator de reação.

Pessoas com alergia ao ovo não devem consumir proteína da clara.

Na prática: para o nutricionista

  • Investigue antes de trocar. Diante de queixas gastrointestinais associadas a suplementos, avalie a causa: intolerância à lactose, outros componentes da formulação ou tolerância individual.
  • Descarte alergia ao ovo. Investigue na anamnese antes de prescrever proteína da clara. Lembre que a ovomucoide resiste ao calor; além disso, tolerar ovo cozido não garante tolerância a todas as formas.
  • Ajuste a porção pela leucina. Pelo aminograma do produto, cerca de 39 g da albumina Uêvo fornecem 2,7 g de leucina, a mesma quantidade presente em 25 g de whey na referência de Gorissen et al. (2018).
  • Considere o preparo. Em receitas com clara ou ovo, prefira as formas cozidas: a digestibilidade da proteína do ovo cozida chega a cerca de 91%, contra cerca de 51% da crua.
  • Individualize. A proteína da clara pode compor a estratégia de pacientes que excluem laticínios, têm intolerância à lactose ou buscam diversificar fontes proteicas, sempre com base na avaliação individual.

Na prática: para você

  • Se você tem alergia a ovo, não consuma proteína da clara.
  • Leia sempre o rótulo, incluindo o aviso de alérgenos.
  • Prefira o ovo cozido ao cru: o corpo aproveita quase o dobro da proteína.
  • Sente desconforto frequente com algum alimento ou suplemento? Procure um nutricionista para investigar a causa e ajustar a quantidade de proteína para o seu objetivo.

Em resumo

  • A proteína da clara do ovo não contém lactose nem proteínas do leite em sua composição.
  • Ovo e laticínios têm PDCAAS 1,0, o valor máximo de qualidade proteica.
  • A albumina Uêvo contém os nove aminoácidos essenciais: 36,3 g a cada 100 g de produto.
  • O whey tem mais leucina por grama de proteína. A diferença pode ser compensada com ajuste da porção.
  • O aquecimento quase dobra o aproveitamento da proteína do ovo.
  • Quem tem alergia ao ovo não deve consumir proteína da clara.

ALÉRGICOS: CONTÉM OVO.

📚 Biblioteca de Estudos Citados

Baixe os artigos científicos utilizados como base para este post:

Outras referências citadas

  • Wu et al. (2010). Bioactive proteins and peptides from egg proteins. In: Bioactive Proteins and Peptides as Functional Foods and Nutraceuticals. Wiley-Blackwell.
  • Eurofins ALAC (2021). Relatório de ensaio AR-21-GR-098954-01-N: albumina baunilha, lote 2021000094. Garibaldi/RS, 09/07/2021.
  • Fuchs et al. (2022). Raw eggs to support post-exercise recovery in healthy young men: did Rocky get it right or wrong? The Journal of Nutrition.
  • Urisu et al. (1997). Allergenic activity of heated and ovomucoid-depleted egg white. Journal of Allergy and Clinical Immunology, 100(2):171-6.
  • Current Developments in Nutrition. Perspective: Milk and dairy provide affordable high-quality protein and merit inclusion in the protein foods group.
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